OS/2: o sistema operacional que a IBM perdeu para o Windows nas lojas — mas venceu nos caixas eletrônicos

Em 1987, IBM e Microsoft lançaram juntas um sistema operacional chamado OS/2. A promessa era simples: substituir o MS-DOS por algo moderno, multitarefa e à prova de futuro. Dez anos depois, o OS/2 estava praticamente morto no mercado doméstico — mas sobreviveu décadas em um lugar que quase ninguém associa a ele: o caixa eletrônico da esquina.

Essa história tem tudo a ver com GEOS, outro ponto-chave dessa mesma categoria.

Monitor de computador antigo, representando era dos sistemas operacionais clássicos

A aposta que virou disputa de divórcio

O OS/2 nasceu da parceria entre IBM e Microsoft, dividindo o trabalho de desenvolvimento. O problema é que, enquanto cada linha de código do OS/2 era escrita, a Microsoft também tocava seu próprio projeto paralelo: o Windows. Quando o Windows 3.0 explodiu em vendas em 1990, a Microsoft perdeu o interesse em co-desenvolver a concorrência dela mesma. A parceria azedou, a Microsoft saiu, e a IBM ficou sozinha tocando o OS/2 — inclusive reescrevendo partes inteiras do sistema para não depender mais de código da rival.

Caixa eletrônico de banco, onde o OS/2 sobreviveu por décadas

Curiosidade pouco conhecida: o sistema que sobreviveu nos caixas eletrônicos

Enquanto o público geral migrava para o Windows 95, o OS/2 encontrou um nicho onde estabilidade importava mais que modinha de interface: infraestrutura bancária. Por mais de duas décadas, boa parte dos caixas eletrônicos do mundo — incluindo redes nos EUA, Europa e Ásia — rodou OS/2 por baixo do capô, muitas vezes sem o cliente do banco nunca saber. O motivo era prático: o OS/2 lidava bem com multitarefa real e tinha drivers industriais robustos para hardware especializado, algo que o Windows da época ainda engatinhava para oferecer com a mesma confiabilidade. Só a partir dos anos 2010 os bancos começaram a trocar essa base por Windows embarcado em massa — e mesmo assim, alguns sistemas legados baseados em código OS/2 seguiram em operação bem depois disso.

Disquete vintage, mídia usada para instalar sistemas operacionais antigos

OS/2 Warp vs. Windows 3.1: o que realmente diferia

  • Multitarefa: o OS/2 usava multitarefa preemptiva real desde o início; o Windows 3.1 dependia de truques cooperativos que travavam fácil com um programa mal comportado.
  • Compatibilidade com DOS: ironicamente, o slogan da IBM era “melhor DOS que o DOS, melhor Windows que o Windows” — e tecnicamente era verdade: o OS/2 rodava programas de DOS e dos primeiros Windows em janelas isoladas, cada uma com sua própria sessão.
  • Interface: o Workplace Shell, lançado no OS/2 2.0 (1992), trazia ícones arrastáveis e um conceito de pastas orientado a objetos que antecipava elementos que só apareceriam no Windows 95, três anos depois.
  • Distribuição: o Windows já vinha pré-instalado em praticamente todo PC novo graças aos acordos da Microsoft com fabricantes; o OS/2 precisava ser comprado e instalado à parte, uma desvantagem comercial que nenhuma qualidade técnica compensou.
Teclado de computador com estética retrô

Por que isso importa para quem gosta de retrocomputação hoje

O OS/2 não morreu de verdade — ele foi relicenciado. A empresa Arca Noae mantém até hoje o ArcaOS, uma distribuição comercial baseada no código do OS/2 Warp 4.52, com drivers atualizados para hardware mais recente e suporte a redes modernas. É possível rodar OS/2 original ou ArcaOS em emuladores e máquinas virtuais como QEMU e VirtualBox sem muita dificuldade, e a comunidade de colecionismo mantém ativo um acervo de software, de utilitários a jogos nativos da época. Para quem estuda a história dos sistemas operacionais, o OS/2 é um caso raro: tecnicamente avançado para seu tempo, comercialmente derrotado, e ainda assim vivo graças a nicho de mercado e a uma comunidade de nicho que se recusa a deixá-lo morrer.

O legado que ninguém via

A lição do OS/2 não é sobre quem tinha a melhor engenharia, e sim sobre como distribuição e efeito de rede decidem guerras de plataforma mais do que qualidade técnica. Ele perdeu a sala de estar para o Windows, mas ganhou décadas silenciosas dentro de caixas eletrônicos e sistemas industriais — um lembrete de que “obsoleto” e “fora de uso” raramente significam a mesma coisa.

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