Em 9 de dezembro de 1968, em San Francisco, o pesquisador Douglas Engelbart subiu ao palco para uma apresentação de 90 minutos que décadas depois ganharia o apelido de “Mãe de Todas as Demos”. Usando um sistema chamado NLS (oN-Line System), ele mostrou ao vivo tecnologias que só se tornariam comuns décadas depois: mouse, hipertexto, janelas na tela e edição colaborativa de documentos em tempo real.
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O que exatamente foi mostrado
Engelbart, conectado por linha telefônica a um computador a quilômetros de distância, demonstrou navegação por hiperlinks entre documentos, edição de texto com recuo e formatação em tempo real, e uma chamada de vídeo ao vivo com um colega em outro laboratório — usando uma tela dividida que lembra bastante uma videochamada atual. Boa parte da plateia, formada por pesquisadores de computação da época, nunca tinha visto nada parecido: a maioria dos computadores de 1968 ainda operava por cartões perfurados, sem tela interativa nenhuma.

O mouse nasceu ali, mas quase não teve esse nome
O dispositivo apontador usado na demonstração era um protótipo de madeira com duas rodinhas perpendiculares por baixo — o ancestral direto do mouse. Engelbart e sua equipe o apelidaram informalmente de “mouse” por causa do fio que saía da parte de trás, lembrando um rabo. O nome, pensado como brincadeira temporária, colou e nunca mais saiu.

Por que isso importa hoje
Praticamente toda interface gráfica moderna — do notebook ao celular — descende de conceitos apresentados naquela demonstração: apontar e clicar, organizar informação em links, editar documentos junto com outra pessoa em tempo real. A Xerox PARC, que depois desenvolveria a interface gráfica que inspiraria o Macintosh, contratou pesquisadores que passaram pelo laboratório de Engelbart. A linha direta entre 1968 e o computador que você está usando agora é mais curta do que parece.

O que aconteceu com Engelbart depois
Apesar do impacto histórico da demonstração, Engelbart não colheu fama nem fortuna proporcionais na época — seu laboratório perdeu financiamento nos anos seguintes e boa parte da equipe migrou para a Xerox PARC. Só décadas depois, quando o mouse e as janelas gráficas já dominavam a computação pessoal, seu papel como precursor passou a ser amplamente reconhecido, incluindo prêmios tardios de instituições de tecnologia dos Estados Unidos.
